segunda-feira, 26 de setembro de 2005

O desastre na zona balnear e outras notas

Infelizmente a freguesia dos Biscoitos foi notícia de primeira página e de abertura de noticiários por ontem, domingo, ter ocontecido um desastre na sua principal zona balnear.
É certo que perante a ocorrência de factos adversos muito se pode dizer, muitas hipótese são possíveis, mas também é certo que ninguém pode alterar o que em cada momento acontece. Porém, é da constatação e reflexão sobre os acontecimentos que se podem tirar ilações e ensinamentos para melhor poder prevenir bem como para melhorar práticas.
É para isto que nos propomos contribuir, ao referirmo-nos ao desastre ocorrido no litoral dos Biscoitos, bem com ao deixar outras notas sobre o contexto festivo onde o mesmo aconteceu.
O DESASTRE
Oito jovens decidiram medir forças com o mar "apanhando marés" e o oceano levou a melhor. Algumas ondas mais altas, e logo provocando correntes mais fortes, arrancaram-nos do sítio onde estavam, arrastando-os pelas águas e de encontro a rochas, provocando-lhes escoriações várias e, pelo menos a uma jovem de 15 anos de idade, ferimentos mortais.
Perante a ausência de meios de salvamento no local (inexistentes por o período oficial da época balnear já ter terminado), a ajuda e primeira assistência foi prestada por dois bombeiros que se encontravam no local por acaso.
Apesar de algumas dificuldades de trânsito (por via dos imensos veículos e das muitas pessoas que se encontravam na área devido à Festa do Porto dos Biscoitos) os meios de socorro pré-hospitalar (ambulâncias oriundas de Altares, Praia da Vitória e Angra do Heroísmo) chegaram ao local e fizeram o transporte dos acidentados para o Hospital de Santo Espírito.
REFLEXÕES...
... SOBRE O DESASTRE
A primeira e principal responsabilidade sobre a segurança de cada pessoa cabe a si mesmo (bem como aos pais e encarregados de educação ou outros elementos que assumam essa responsabilidade em dado momento ou actividade, quando se trata de menores). Assim, cada um deve avaliar sobre as condições de segurança para determinado acto e prevenir-se, o mais possível, para consequências provenientes dos actos de outros ou dos efeitos de tecnologias e da própria natureza.
Em relação ao desastre de ontem, e perante vários relatos, parece não ter sido suficiente o cuidado que estes jovens dispensaram em relação à própria segurança, tendo em consideração que as condições de mar, ainda que talvez aparentemente não tão adversas como se vieram a revelar, não eram, de todo, as melhores.
... SOBRE O SOCORRO
Com os diversos condicionamentos em causa, e sem conhecimento total de todos os pormenores, pensamos que o socorro prestado terá sido aquele que foi humana e logisticamente possível. Não há dúvida porém de que se existissem outros meios a intervenção teria sido mais rápida, ainda que sem a certeza de se obterem melhores resultados.
Sabemos que em todo o período oficial da época balnear no concelho da Praia da Vitória "não ocorreu qualquer incidente relacionado com os banhistas" (de acordo com o chefe Costa, da Polícia Marítima, em declarações ao Diário Insular, edição de 22/Setembro/2005). Ainda bem que assim foi. Mas, apesar de não termos certezas quanto à resposta, perguntamos se não se justificaria alargar este período oficial ou, pelo menos, tratar estes casos de enorme afluxo de pessoas como momentos extraordinários da época balnear oficial merecedores de vigilância e acompanhamento, até reforçados?
Também sabemos, segundo o capitão do Porto de Angra (citado pelo Diário Insular, edição de 26/Setembro/2005), que "todas as zonas balneares são mantidas ao nível de rondas e vigilância, mas que não se pode estar presente a todo o momento e em todos os locais". Julgamos que o litoral dos Biscoitos, nestes momentos de festa, deveria ter rondas e vigilância acrescidas. E não só no que diz respeito à zona balnear (mas já lá iremos ao resto).
... SOBRE A FALTA DE CIVISMO DE MUITAS PESSOAS
Pena temos que o grau de evolução comportamental não seja tão célere quanto gostaríamos.
Apresentamos duas notas para ilustrar esta afirmação.
Em primeiro lugar, em situação de ocorrência de algo anormal, a intensa curiosidade toma conta de muitas pessoas, levando-as a acorrerem e aglomerarem-se o mais próximo possível dos cenários dos "casos". Exceptuando as situações de aflição e de procura de informações para confirmar/desconfirmar suspeitas de envolvimento de pessoas familiares ou muito próximas (que mesmo assim devem ser vividas sem pânico e respeitando certos procedimentos) e a verificação de poder ou não contribuir para minimizar os problemas (como no caso dos bombeiros que intervieram na situação deste fim de semana), devemos "viver" estes momentos à distância, sem interferir, até para não atrapalhar (relataram-nos casos, que infelizmente não são novidade, de pessoas que, tão absortas nos intentos de ver algo mais, dificultaram a circulação de ambulâncias, rodeando-as e colocando-se no centro das vias de circulação).
Em segundo lugar, e variando um pouco o centro do assunto, temos outra questão, relacionada com a limpeza e asseio dos espaços. Na realidade, todo o litoral dos Biscoitos, durante e imediatamente após as festividades do último fim de semana de Setembro, "ganha" um estado de imundice, pela variedade e quantidade de desperdícios que são abandonados por todos os canto e recantos, mas também centros e lados. Não há dúvida de que, para cada um, é mais fácil abandonar o lixo que produz do que o levar até um local apropriado para o depositar. O pior mesmo é que uma larga maioria das pessoas, nestes contextos de festas, optam exactamente pelo mais fácil e menos digno (o que diriam se alguém lhes fizesse "trabalho" semelhante aos seus pátios, jardins e habitações?)
É necessária a ressalva de que em muitas situações as pessoas agem das formas relatadas por falta de informação e formação, de certa forma até embebidas e inebriadas por determinadas correntes de incorrectas atitudes colectivas.
... SOBRE A FALTA DE PREVENÇÃO
Finalmente, no que concerne a prevenção há a indicar várias ideias, pensando no contexto global das festividades que aconteceram sábado e domingo na zona do Porto dos Biscoitos.
A prevenção e o planeamento são fundamentais. Infelizmente, na nossa opinião de leigos no assunto e apenas perante o que nos é dado observar e nos relatam pessoas amigas, o planeamento ou não será suficiente ou não é totalmente bem executado, deixando de fora das acções de prevenção muitos potenciais perigos e adversidades.
Desde logo a questão do trânsito: temos como exemplo próximo o facto de que "o veículo automóvel da Polícia Marítima tentou acorrer à zona Balnear dos Biscoitos mas segundo o Capitania do Porto, a circulação por terra foi “extremamente complicada” devido ao muito movimento de veículos que existe hoje nos Biscoitos devido à festa do Porto e que tornou a passagem “altamente dificultada”, com o veículo da Polícia Marítima com as luzes de emergência ligadas a ficar parado durante cerca de 20 minutos “entalado” (Diário Insular, 26/Setembro/2005). Sabemos que as vias em causa não são muito largas mas não queremos acreditar que, com vários acessos que têm sido criados (até à custa de património vitícola), não se consigam garantir corredores de emergência que permitam a circulação eficiente de veículos prioritários.
Por outro lado, achamos que estas "Festas do Porto", dadas as suas crescentes características de chamariz e concentração de jovens que aproveitam aquele fim de semana para se iniciarem ou confirmarem nas qualidades de "independência do poder paternal" (incluindo muitos menores), em muitos casos com a associação a elevados consumos de bebidas alcoólicas e outras substâncias tóxicas, deveriam ter maior efectivo policial presente, em permanência. E isto tanto numa atitude de visibilidade, desmotivando para práticas ilícitas e/ou perigosas, como numa atitude de fiscalização. Não pedimos demasiada repressão, mas deixar "à solta" estes contextos de "confusão" pode trazer sérios perigos.
Respondendo à triste situação de falta de asseio que se verifica em todos os espaços litorais, defendemos que uma distribuição massiva, ao longo de todos os espaços, entre a Canada da Rua Longa e a Canada da Salga, de contentores para lixo doméstico, para uso durante o período de festejos, poderiam trazer resultados positivos. Acreditamos que é mais provável que as pessoas se desloquem até aos contentores de resíduos se avistarem algum nas redondezas, do que se não se depararem com nenhum (sabemos que será mais correcto que cada um procure o contentor do que colocar quase um contentor por cada 50 m mas o facto é que nestas ocasiões as pessoas não se preocupam em procurar o dito local de depósito de lixo).
Se todos nos esforçamos decerto que a sociedade evolui de forma positiva.

12 comentários:

Anónimo,  27/9/05 00:00  

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Anónimo,  28/9/05 19:14  

... eu leio e compreendo o português, mas não sei comentar em português.

illuminata 1/10/05 20:54  

Pensemos:

O que será mais importante?

Deixar circular uma ambulância, desfazendo a formação de uma procissão (durante alguns minutos)?

ou

Continuar normalmente a procissão, enquanto se observa a ambulância parada e alguém aguarda por socorro?

Que Santo António e Nossa Senhora de Fátima nos perdoem a todos.

illuminata 1/10/05 21:18  

Quanto aos resíduos sólidos (ou lixo, numa linguagem mais simplista):
É vergonhoso o estado em que fica toda a zona balnear, porto de pescas e zonas limítrofes.
Está na hora de todos nós termos vergonha!!!
Há comportamentos que socialmente não são aceites:
O tio Manel com certeza que num dia "normal" não vai atirar a sua garrafa para o meio da rua.
Então, porque motivo o vai fazer num dia de festa?
Porque é que este comportamento é aceite em dias de festa?
Qualquer dia vamos ver um artigo nalguma revista estrangeira da especialidade:
"Comportamentos degradantes, mas socialmente aceites - O caso particular dos terceirenses aquando da realização de festas populares".
Daria uma boa tese de doutoramento.

uriel69 1/10/05 22:46  

Escrevo apenas como uma mera mortal, e como tal,terei se ser o mais sincera, breve e sucinta sobre aquilo que escrevo...domingo de manhã por volta das 11 horas, vi a primeira ambulância a passar, com grande dificuldade devo dizer, porque estas pessoas são mesmo das "ilhas" e não sabem que a ambulância com pirilampos e sirene é logo há partida um veículo prioritário!Infelizmente as pessoas não sabem o significado de veiculo prioritário, muito menos o de urgência, devem ter ouvido qq coisa disso na escola de condução mas já não se lembram...mas como estava dizendo a ambulânciia passou em frente a minha casa e corri para o terraço para ver onde ela parava, pensando que talvez fosse uma simples bebedeira, porque em dias de festa as pessoas infelizmente não sabem beber e ocupam os bombeiros em coisas ridiculas como uma bebedeira quando por vezes as ambulâncias são chamadas para coisas mais urgentes e não estâo disponíveis porque estão a tomar conta da ocorrência poque estão numa bebedeira,mas enfim as pessoas serão sempre pessoas...infelizmente a ambulância que já se encontrava no porto, seguiu para a calheta dos biscoitos; recebo um telefonema a dizer para avançar para baixo para auxiliar o colega que já se encontra na ocorrência, avanço para baixo e para minha grande surpresa encontro um policia a barrar o caminho porque a procissão de santo António já se encontra no caminho, identifiquei-me como nadadora-salvadora e como bombeira mostrando-lhe o meu cartão como bombeira, explicando-lhe que precisavam de mim e para meu grande esspanto quando ele me diz que a procissão ainda está no caminho por isso não posso passar!!! Mas o que é isto, meu deus... em que pais nós vivemos no 3º mundo????Bem escusado será preciso dizer que tive de correr no meio da procissão de fato de banho e descalça, que me perdoem os santinhos todos... para chegar a zona pretendida!!!
Quando lá cheguei a rapariga já tinha sido recuperada pelo meu colega tb nadador-salvador e bombeiro que se encontrava por lá perto e há civil, porque a época balnear já tinha acabado!!! Infelizmente a natureza humana gosta de mórbidez e foi muito díficil afastar as pessoas,só para transportar a rapariga até a ambulância porque todos queriam ver o espectaculo,que não existiu!!! Mas sim uma sinistralidade muito grave em que outras pessoas poderiam ter perdido a vida!!!As restantes vitimas foram socorridas o mais rápido possível há medida que a população se foi apercebendo da gravidade da situação...devo louvar um policia pela sua prontidão, sentido de responsabilidade e rigor por ter avançado a minha frente numa mota desviando os carros da frente do meu carro cívil com três rapazes feridos também do sinistro, esse policia chama-se fernado mais conhecido por marusga nos biscoitos, desde já o meu agradecimento! Termino assim esperando que todos...respeitem as nadadores salvadores quando estes então em serviço, ajudem os bombeiros fazendo por exemplo um cordão humano para impedir os curiosos que só atrapalham!!!! Policias façam o seu dever ajudando os bombeiros!!! Cívis deem prioridade aos carros com 4 piscas e buzina a fundo porque se o condutor está com 4 piscas então é uma urgência!!!! Desviem-se do caminho facilitando o trabalho dos bombeiros que seguem em ambulâncias. Que sirva de emenda a todos e que aprendamos todos com os nossos erros...

Anónimo,  2/10/05 00:48  

E lamentavel mas é verdade que as pessoas nos açores têm sede de ver o sofrimento do outro, não para ajudar mas para saciarem apenas e tão somente o seu egolatrismo.

Cristina,  4/10/05 22:19  

Sabendo as entidades policiais da emergência que existia perto da piscina, porque continuaram a deixar que o trânsito na Canada do Porto se efectua-se normalmente para o dia, ou seja totalmente parado, e não fecharam de imediato o trânsito para que as ambulâncias e a policia maritima (que estranhamente desce a canada após três ambulâncias já terem passado)pudessem realizar o seu trabalho em condições ?
Se vissem a figura caricata do policia numa "motinha" a mandar que os carros se desviassem, não sei para onde... só se fosse para cima dos carros que deixaram estacionar na Canada do Porto.
Incompreesivelmente só pararam o trânsito quando os touros sairam...

Anónimo,  6/10/05 13:22  

Sem qualquer dúvida, que uma grande parte do povo,(alguns já de véspera)que estiveram no Porto dos Biscoitos, ocupavam-se mais da instrução que ilumuna o espírito, que da educação que forma o carácter.

Anónimo,  15/10/05 20:39  

Se a polícia de Segurança Pública e a Guarda Fiscal, fizessem uma operação "fim de semana"(em diversas freguesias)das touradas do Porto dos Biscoitos, teriamos menos embalagens de bebidas alcoólicas espalhadas no litoral e menos viaturas a circular na ilha Terceira nas semanas seguintes.

Anónimo,  16/10/05 11:15  

A Polícia, exercida sábiamente no interesse dos bons costumes e da segurança geral, é uma instituição nobre, grande e utilissima.
A do "Comando" dos Biscoitos tem sido a garantia para os biscoitensese e para quem visita a Freguesia.
"Cada um dá o que têm, mais não é obrigado"!
Quanto à tourada no Porto dos Biscoitos, onde "cai toda a ilha", aí tem que haver um reforço redobrado da polícia de todos os comandos da ilha.

José Aurélio Almeida 31/12/05 02:22  

Caros Iluminata, Uriel69 e anónimos: obrigado pelos vossos comentários tendo em conta que em muito contribuíram para o leque de análises e reflexões necessárias à volta dos temas aqui abordados.

Mariana Silva 23/3/10 14:17  

Nao sei porquê só passados kuase cinco anos é que me deparei com este artigo! Nao posso comentar todos os aspectos referidor pelo autor, uma vez que nao me identifico e que nao tenho informaçoes suficientes para o fazer. Contudo, acerca do desastre posso-o fazer, com todo o direito, pois vivi-o. Nao querendo criticar de forma alguma, mas, e como disse no artifo, as pessoas falam e inventam em grande escala; isso aconteceu no domingo, e no dia seguinte a quantidade de versoes que ja me tinham chegado aos ouvidos... muito triste, parece q nao tinham mais do que fazer, enfim. Corrigindo um dos aspectos, estes jovens nao "mediram forças apanhando marés", simplesmente mergulharam e deram umas braçadas e chegaram às rochas onde se mantiveram de pé até tudo acontecer, e o que é certo, é que no local onde se econtravam haviam muitas outras pessoas, mesmo ao sue lado, nao eram os unicos, apesar de terem sido estes serem jogados ao mar. Quando as marés aumentaram d força eles nao se aperceberam, uma vez que estavam de costas, tendo sido apanhados de surpresa por tras e ai arrastados.
Nao sei porque, mas sei q a culpa nao é do autor, mas mesmo passado este tempo ainda me revolta ouvir coisas como estas, como tivesse sido irresponsabiblidade, onde nao houve de parte de ninguem, simplesmente nao havia nem há maneira de prever situaçoes como esta. Hoje em dia as pessoas continuam a ir para o mesmo local, que aparentemente nao representa perigo nenhum. Quanto ao tema dos pais....acho de muito mau gosto as criticas a qualquer dos pais, era-mos adolescentes, é um facto, mas não eramos os unicos, nem por esse motivo nenhum pai deve proibir acampamentos ou algo do genero, toda a vida se acampou durante estas festas e vao continuar, nao é por ai.
Agradeço imenso a quem acudiu no dia, ajuda muito preciosa.....
De qualquer maneira, nao quero ofender ninguem, so achei por bem comentar para secalhar esclarecer alguns pontos. Nao disse tudo isto por ter estado envolvida e para defesa, mas sim por que é a verdade.
Obrigada...

Biscoitos, Praia da Vitória, Ilha Terceira, Açores, Portugal

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