terça-feira, 30 de maio de 2006

Folia

A Comissão de Mordomos deste ano do Império do Divino Espírito Santo do Bairro de São Pedro promoveu na tarde do passado domingo uma Folia acompanhada pelo "Pézinho".
A concentração dos bovinos que serão sacrificados e repartidos em esmolas durante os dois próximos fins-de-semana aconteceu na zona da Caparica onde estes animais foram enfeitados.


Todo o cortejo desceu o Bairro de São Pedro em direcção ao Largo da Igreja onde também se situa o edifício do Império do Divino Espírito Santo, com a animação e participação de quatro afamados cantadores (José Eliseu, João Leonel, Mota e Marcelo, senão nos falhou a identificação) e a Filarmónica da Sociedade Recreativa Biscoitense.


Nota: Novamente publicamos fotografias com pouca qualidade mas desta feita não conseguimos recursos tecnológicos que produzissem melhores resultados.

Faz hoje um ano que publicamos:
Vista aérea dos Biscoitos

9 comentários:

Anónimo,  30/5/06 21:54  

"O improvisador biscoitense José Borges Scotto( O José Borges), filho de Joaquim Borges Scotto e de Florinda de Jesus. Nasceu a 9 de Maio de 1889 na Freguesia dos Biscoitos e faleceu a 19 de Fevereiro de 1946, no mesmo lugar.Esteve seis anos na Califórnia a trabalhar na lavoura.
Começou a cantar em terços e em ranchos de matanças. Foi contemporâneo do Bravo, Tenrinho, António Dias, Chico da Vila, Conceição Coutinho e outros.

O José Borges demonstrou qualidades apreciáveis nos desafios entre cantadores do seu tempo. Na verdade, ele tem quadras jocosas, de sabor mordaz, que lhe saíam espontâneas da alma.

(Num Pèzinho a um indivíduo que fazia a arrematação de brindeiras para o Império.)

Uma brindeira torcida
Nem a ponta dum bordão,
Não vale mesmo cozida
A metade dum bordão.


(Num Pèzinho a um fulano dos Biscoitos)

Triste de quem é pobre,
Que muito é o que padece;
Por muito mais que se dobre
Ainda pouco aparece."


In J.H. Borges Martins- Improvisadores da Ilha Terceira(suas Vidas e Cantorias)-pp.151/152

Anónimo,  30/5/06 22:14  

"José de Sousa Brazil ( O Charrua)
Natural das Cinco Ribeiras.
(...)
(Num Pèzinho em frente da casa do padre Simas que na ocasião estava à janela com a empregada.)

Quando eu subi a ladeira
Quase me faltou as rimas;
Quando vi a ratoeira
Onde cai o padre Simas.

(...)


(Num Pèzinho em frente da Cadeia Velha de Angra)

Hà quem roube a toda a hora,
E nunca lhe deitam a mão;
São tantos que andam cá fora,
Piores que esses que aí estão.

(Disse ao Francisco Cèguinho numa mercearia dos Biscoitos)

A balança é uma desgraça,
Só p'ro dono é que dá brilho.
Tantas vezes o papel passa
No meio do meio-quilo.


As roseiras do caminho
Olho p'ra elas com desdém;
Encerram menos espinhos
Do que a minha vida tem.

In J.H.Borges Martins- Improvisadores da Ilha Terceira (suas Vidas e Cantorias)-pp252.253.254.256.

Anónimo,  31/5/06 20:24  

"Manuel Gonçalves Correia de Melo Júnior
(O Barbeiro)

O Barbeiro nasceu na Freguesia da Serreta.
(...)
A um criador de Bezerros no Raminho.

Cresce a erva na campina
Ao calor ameno do verão.
Como a Graça Divina
Cresce em vosso coração."

In J.H.Borges Martins - Improvisadores da Ilha Terceira (suas Vidas e Cantorias)- pp329/330

Anónimo,  4/6/06 22:15  

"Folia dos bezerros" ou "bezerrada" se chama ao passeio, pelas ruas, do gado que vai ser abatido e cuja carne será repartida, em quinhões de esmola, pelos Mordomos, Irmãos e pelos mais pobres do lugar. Os bezerros são enfeitados com boninas ou flores de papel de variadas cores, coladas à pelagem com breu. Nas astes levam às vezes arcos de verdura e flores com uma cruz ou bandeira no topo. Na testa costumam prender uma coroa ou pomba recortadas em cartolina branca. Duas ou três vacas, com vistosos colares de cabedal enfeitados a fivelas e pregaria de latão, tendo pendentes grandes chocalhos, precedem o cortejo em cujo couce segue a fiada dos cantadores e a dos músicos, cantando e tocando o "Pèsinho", denominado "dos bezerros", para o distinguir do "Pèsinho do balho" que é uma "moda" diferente e nenhuma afinidade tem com a outra.Os músicos tocam ordinariamente violas, rabeca, clarinete e contrabaixo, acompanhados a ferrinhos.
A folia pára em frente da igreja, do império, das casas do imperador e dos mordomos, dos irmãos bemfeitores, dos criadores do gado que gratuitamente engordam os bezerros, de todos, enfim, que de uma forma ou de outra contribuiram para o luzimento da festa. Os cantadores encarregam-se de a todos saudar em quadras.
improvisadas.

In Frederico Lopes(João Ilhéu)-Ilha Terceira. Notas Etnográficas.Instituto Histórico da Ilha Terceira.Angra do Heroísmo 1980-página 229.

Anónimo,  4/6/06 22:35  

Chegada da folia a casa do mordomo, para depois se proceder à distribuição das pensões.

Saudação ao Divino Espírito Santo

Eu te saudo o'bandeira
do Divino Espírito Santo;
-Saudo a família inteira
do mordomo, neste canto.


O teu poder é forte
Eu te afirmo neste pé:
dai-nos luz até à morte
P'ra mantermos nossa fé.


Ao mordomo Tu lhe deste
A vontade de cumprir;
Só sabe o que fizeste
Aquele que bem sentir.


O mordomo foi fiel
Ao cumprir sua função.
Não fosse ele Manuel
Nome da nossa feição.


Tiveste uma boa ajuda
Por parte dos criadores,
A minha ideia se muda
P'ra eles, com muitos louvores.

(...)

P'rás senhoras cozinheiras
Vai uma palavra d'amor.
Seu trabalho não tem fronteiras,
Por isso lhe damos valor.


No tempero há apuro;
Têm sempre gosto fino:
-É como o vinho maduro
Que "faz do velho menino".

(...)


São horas de ir a caminho
A distribuir o que se fizera
De carne, pão e vinho
-O que toda a gente espera.

in Francisco José Dias (Tenente)-Cantigas do Povo dos Açores.

Instituto Açoriano de Cultura. Angra do Heroísmo. 1981- páginas 58/59.

Anónimo,  8/6/06 14:24  

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Anónimo,  22/7/06 14:28  

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José Aurélio Almeida 11/8/06 18:47  

Caros Anónimos:
Com a vossa colaboração ficam aqui importantes registos relativos a personalidades e tradições festivas da nossa terra.
Agradecemos.

Azoriana 4/7/08 22:47  

Há muito que aqui não vinha.
Saúdo vosso cantinho!
A quem meu gosto sublinha,
Trago abraços com carinho.

O gosto pela Cantoria
Parece não ser segredo;
Só me falta que um dia
Saia deste meu degredo.

Quando vejo este cortejo
De quadras dos cantadores,
Cai em mim um tal desejo
De juntar-me às suas cores.

São as cores da Terceira
Que cantam por sua alma;
Encontrei esta maneira
De louvá-los com rica palma.

Eu vou cantando por casa,
(Não me chamam para a rua),
Só a lua é que me abrasa
Cada vez que em mim actua.

Uma mulher foi famosa
Deu aos Açores nobreza:
Angelina, flor formosa,
Da Canada da Francesa.

Cantinho e Corpo Santo,
Memória, S. João de Deus,
Foram "templos" do seu canto
Para alegria dos seus.

Sofrimento e alegrias
Teve D. Angelina;
Deu brilho a tantos dias,
Com inspiração Divina.

Poetisa açoriana,
Com fama por além mar;
Se a fé não me engana
No céu está a cantar.

A Toronto - Canadá,
Sonhei levar-lhe um lírio...
Seu coração parou lá
E por cá fico em delírio.

"Aurora e Sol Nascente"
Um livro lindo e rico;
Um tesouro, um presente,
E dele eu não abdico.

Mário Pereira da Costa,
Sobrinho da Poetisa;
Autor da prosa disposta,
Bafejada pela brisa.

Uma brisa de cantigas
Da "Turlu" encantadora
E pessoas mais antigas
Numa rima sedutora.

O "Charrua" acompanhou
Estas modas regionais,
Com a "Turlu" ele cantou
As rimas celestiais.

2008/07/04
Rosa Silva ("Azoriana")

Biscoitos, Praia da Vitória, Ilha Terceira, Açores, Portugal

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