domingo, 13 de agosto de 2006

Francisco Laranjo, um emigrante

Segundo o site "Português em Linha" hoje é o Dia Mundial do Emigrante.
Assim, entre a imensidão de biscoitenses que foram ou são emigrantes, recorremos a "O Açoriano" e destacamos hoje o "Ti Francisco Laranjo".

Apresentamos, quase na íntegra, um testemunho dos próprios filhos publicado na edição de
29/Março/2006 deste jornal português, que é editado em Montreal, no Canadá.

Francisco Laranjo "é filho de Francisco Gonçalves Laranjo e de Maria Augusta Ferreira, nasceu no dia 21 de Abril no ano de 1915, na freguesia dos Biscoitos, ilha Terceira, Açores.
Desde criança sempre demonstrou uma grande vontade de vencer na vida, nunca gostou de depender de ninguém, com poucos anos de idade foi ao registo civil da Câmara da Praia da Vitória e encontrou um senhor que lhe perguntou o que desejava.
Senhor Doutor, estou aqui para saber a data de nascimento dos meus irmãos, lá em casa ninguém tem a certeza de nada. Mal sabia o Francisco que estava a falar com o Doutor Juiz do tribunal da Praia. Sua autoridade ficou tão estranhado em ver a coragem daquela criança que logo lhe entregou por escrito todas as informações.
Ainda jovem comprou uma bezerra, e alguns anos mais tarde já possuía algumas vacas. Quando foi para o Castelo (tropa) foi obrigado a vender porque o pai e os irmãos não percebiam nada de vacas.

No dia 27 de Dezembro de 1939, casou com Maria Ramos natural da freguesia dos Altares, e do casamento nasceu 4 filhos, é avô de 7 netos e 6 bisnetos.
Durante 28 anos trabalhou para o estado, era cantoneiro. Mas ao mesmo tempo comprava bezerros e dava a criar a meias com lavradores dos Altares, o valor que o animal atingisse acima do preço da compra era dividido metade para cada um.
Mais tarde plantou árvores de fruta num terreno que possuía à volta da casa, ninguém acreditava que aquilo desse certo, não levou muito tempo que o pomar dava fruta todo o ano e servia de alimentação para os filhos.
Nunca quis que os filhos trabalhassem por conta dos outros. Por esta razão quando o Francisco terminou a quarta classe comprou-lhe umas vacas. Não levou muito tempo tinha uma lavoura que fazia inveja a muitos mais, de 40 cabeças de gado. Também criava bezerros para a mordomia do Divino Espírito Santo. Em 1957 resolveu ir para os Estados Unidos da América, esteve lá 9 meses mas foi o suficiente para dar um avanço muito grande na sua vida. Depois de ter dado a oportunidade aos 3 filhos mais velhos de emigrarem para o Canadá, em 1977 veio para o Canadá para junto dos filhos mais a sua filha Gabriela. Não demorou muito que comprou uma casa com três apartamentos. Nunca desiste, ainda hoje com noventa anos tem projectos de rapaz novo. Por incrível que pareça, neste momento está na Itália mais a Gabriela que é a filha com quem vive no Canadá. Todos os anos vai passar alguns meses na sua casa da Ilha Terceira para assistir às touradas. Passou momentos muito difíceis ao longo da vida: A mãe morreu com 36 anos, o irmão José morreu aos 24 anos, a irmã Maria com 21 anos e a Rosinha com 22 anos. O momento mais difícil foi quando a esposa morreu em 1994. Mas tudo isto ele ultrapassou com a sua grande forca de vontade de viver. Mais recentemente faleceu a neta com apenas 20 anos de idade. Os filhos são unânimes ao dizer que o pai é um verdadeiro HEROI. Sem saber ler nem escrever, começou de nada e muito consegui para ajudar os filhos. Vendeu tudo quanto tinha e em vida, ao contrário de muitos, deu tudo aos filhos no momento que eles mais precisavam. A Zélia diz que por ser a filha mais velha teve a oportunidade de ver o pai organizar a sua vida. Sempre ajudou os mais necessitados. Recorda que o pai depois do trabalho pela noitinha jantava, amanhava-se e ia passar o serão na casa da música, jogar à sueca. Depois de casada e como vivia na cidade de Angra, todas as semanas mandava-me pão fresco, batatas, fruta e um pouco de tudo quanto tinha lá em casa de forma que nada me faltasse.

O Francisco recorda que o pai um dia lhe disse, que uma família da freguesia estava a passar um mau momento (dificuldades), além de serem muito pobres o homem da casa estava doente, então disse: "filho quando vieres das vacas deixa leite naquela família". Para o Henrique, o pai é um bom exemplo de vida, alegria e amizade. Ajudou os filhos quando eles mais precisavam, ao contrário de muitos que eu conheço que não ajudam os filhos guardando tudo o que tem até à morte. São tantas as narrativas que eu conheço do meu pai, a sua vida dava para escrever um livro. Nos ensinou a respeitar a todos e é um homem com uma grande visão. Bravo Pai sempre para a frente conclui o Henrique. A Gabriela diz que o pai é um homem extraordinário, simples e humilde. Uma maravilha de pessoa, adora brincadeiras e gosta muito de conversar e viajar. (...)".

Faz hoje um ano que publicamos:
Mais uma candidata à Câmara Municipal

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