quinta-feira, 27 de julho de 2006

Homenagem aos Homens do Mar e da Terra


A 27 de Julho de 2001 foi inaugurada no Canto do Feno, nos Biscoitos, uma escultura de Dimas Simas Lopes que representa uma "Homenagem aos Homens do Mar e da Terra".


Para esta obra o artista contou com colaborações diversas de Emanuel Félix (filho), Paulo Mendonça, Paulo Raimundo e
Rui Melo. A promoção da mesma foi da responsabilidade conjunta da Junta de Freguesia dos Biscoitos (sendo seu Presidente Manuel do Couto Fagundes) e da Câmara Municipal da Praia da Vitória (sendo seu Presidente José Fernando Diniz Gomes) e a sua execução esteve a cargo das Oficinas de Fernando Capitão. Este monumento foi ainda apoiado pela Direcção Regional da Cultura.


Junto do monumento, para além da placa de inauguração, está uma placa com a gravação de um texto do próprio
Dimas Simas Lopes:

Aos Homens do Mar e da Terra
Durante anos vigiei melros, nas férias da escola primária. Às vezes fazia tréguas no combate e descia até à calheta. A descida fazia-se pela Canada das Vinhas e por um carreiro de pé, fechado de monda e silvas, que desembocava no Canto do Feno. Aí era sítio quase obrigatório de paragem. Nesse já remoto tempo, bem longe estava de imaginar que um dia viria a conceber e erguer uma escultura naquele sítio muito conhecido dos pescadores, por ser um dos pontos de referência de uma marca de pesqueiro.
Em 1995 o lugar estava cá dentro e os olhos outros. Foi a altura que apresentei a ideia acompanhada de esboços e da primeira memória descritiva. O motivo era forte, o da homenagem. Os homens da nossa terra mereciam, além de uma missa por alma e da memória dos parentes e amigos, uma peça de arte que assinalasse o seu trabalho. O trabalho de gente que vivia com um pé em terra e outro no mar. Homens que iam "dormir" ao mar para haver peixe na mesa e na saca de trabalho. E quando o mar não "dava" viravam-se para terra que havia muito que cavar, desfolhar, levantar vinha e por aí fora. O convívio da terra e do mar. Sem perder tempo. Os baleeiros, esses, sempre de olho aberto e pé ligeiro ao primeiro sinal do vigia do Pico Matias Simão, corriam das vinhas, dos pomares, das terras a soltar os calços dos botes, depressa que se faz tarde. Em viagens sem destino e sem regresso certos e pouco pão. Nas vinhas é curvar as costas que a vinha é baixa, o alvião faz calos e os cestos de duas asas esfolam os ombros. Nas adegas é arregaçar as calças que há muita uva para pisar e puxar a barra grande da prensa que abre o peito e retesa os tendões.
Conheci gerações de pescadores, baleeiros e trabalhadores das vinhas pelo nome próprio ou pelos apelidos, a todos tiro o meu chapéu. Claro que fico mais contente se gostarem da minha ideia e desta escultura.
E é natural que se questionem sobre o significado daquela disposição das vigas de ferro. Para uns será uma alusão ao arado, para outros será o alvião e outros dirão que lhes faz lembrar um barco. O nosso olhar é sempre diverso como a nossa capacidade de abstracção. Mas aqui para nós sabem o que gostaria que aqueles cerca de trinta e quatro metros de ferro, com as suas toneladas, significassem? Uma escultura do nosso tempo com uma linguagem directa e despojada e um conjunto de vectores de força unidos num ponto comum, movendo-se no mesmo sentido, balançando como uma grande nave, em mar de muita tempestade, em que todos nos encontramos, à deriva, à procura de porto seguro e salvo.


Faz hoje um ano que publicamos:

3 comentários:

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